terça-feira, 11 de julho de 2017

O INÍCIO DO BLOG MAS – MULHERES AGRICULTORAS DE SUCESSO

Eu já fui agricultora, lá pelas idas dos anos 2000, com vinte e poucos anos de idade, mas como uma boa advogada que sou, não fui boa agricultora, me faltaram muitos incentivos para continuar com a atividade rural dos meus antepassados.

Além de uma boa gestão, me faltou dinheiro. Naquela época era escasso o fomento financeiro para agricultura, apenas quem tinha “tradição” como diziam os bancos conseguiam crédito. Agora imaginem eu, menina de vinte e poucos anos, recém-formada em Direito, recém-casada e sem nenhuma tradição na agricultura? Poucos anos depois, desisti da agricultura.

Concomitantemente à agricultura, eu passei a exercer a advocacia e nesta bela e árdua profissão estou até hoje.

Eu sempre soube que eu não viveria sem ter conexão com a agricultura e de alguma forma minha profissão se encarregou de trazer-me novamente para perto dela.

Quando deixei o sul de Minas e vim morar na região do Alto Paranaíba, precisamente na cidade de Patrocínio e casada com um engenheiro agrônomo, me envolvi novamente com o Agronegócio, desta vez como especialista em Direito do Agronegócio, direcionando toda a minha advocacia para esse ramo de atividade.

Daí em diante, passei a conhecer inúmeros agricultores de vários portes e através deles pude vivenciar novamente o dia a dia no campo.

No caso da agricultura familiar, pude perceber que os agricultores, os maridos não trabalhavam sozinhos, trabalhavam lado a lado da sua mulher, que além de cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos, tinham força e tempo para ir pra lida, seja no plantio ou na colheita do produto, mas diuturnamente, essas mulheres agricultoras estavam lá, inclusive carregando seus filhos nos braços.

No caso da agricultura de médio e grande porte, me deparei também com mulheres agricultoras, que por algum motivo se dedicavam à agricultura, sozinhas ou ao lado do marido ou do pai, já não de forma braçal como é na agricultura familiar, mas na gestão dos negócios, que é tão difícil quanto à outra atividade.

Diante desta realidade, eu não ouvia a sociedade destacar nenhuma mulher agricultora, sempre era o fulano de tal, no máximo, a mulher ou a filha do fulano de tal e com isso essas mulheres de sucesso não eram reconhecidas por seus importantes trabalhos.

Daí nasceu a ideia do BLOG MAS – Mulheres Agricultoras de Sucesso em 19 de julho de 2015, para trazer à tona essas mulheres que estão escondidas lá no campo, seja na lavoura ou por traz de
uma mesa, mas fomentando o agronegócio, sem perder a sua vaidade, sem perder de vista sua casa e sua família.
  
Além de trazer à tona o perfil dessas mulheres agricultoras, trazemos também notícias jurídicas ou técnicas do Agronegócio visando  auxiliar no seu crescimento profissional.

Nosso blog começou pequeno, com pouquíssimas visualizações, hoje com quase 2 anos de blog já alcançamos perto de 50.000 visualizações e temos público de várias nacionalidades, além de brasileiros, americanos, europeus, asiáticos, o que nos faz acreditar que estamos no caminho certo.

Recentemente, o mundo abriu os olhos para as mulheres agricultoras, principalmente no contexto da cafeicultura e espero que essa boa onda traga às bravas mulheres agricultoras de sucesso não só reconhecimento mas também valorização dos seus produtos, para que o mundo inteiro reconheça a importância da agricultura e que essa mesma agricultura também é feita por mulheres que trabalham no campo de forma sustentável, sensível, mas aguerridas, tratando suas lavouras, a natureza e os empregados da mesma forma que tratam seus filhos.
  
Por Andréa Oliveira – advogada
OAB/MG 81.473
Sócia fundadora do escritório Andréa Oliveira Sociedade Individual de advogados – www.andreaoliveira.adv.brEspecialista em Direito do Agronegócio e concluindo MBA em gestão de negócios pela USP-Esalq.

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